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meninos, eu vi

por nobody

Friday, 04.01.08

viver novela


Divago diante à TV. Novela. A campainha toca suave – ato de gente educada. Calço os chinelos e sigo em direção à porta. Desabo.

Silêncio. O intervalo demora acabar. Peço que você entre. Constrangimentos. Um constrangimento tolo registra-se. Afinal, estou diante à pessoa que amo. Medo de errar.

Café, água, chá, uma cerveja?
O que oferecer a alguém que se ama?

Amar e ser amado era tudo o que queria. Você, par perfeito.

“Sente-se, fique à vontade...”

Trago um vinho. Surpreendo. Ansioso vou ao primeiro gole. Sugiro um brinde. Silêncio. Sorriso amarelo no canto da boca. Brindamos constrangidos e silenciosos.

Fico em pé, perdido. Vou até a janela... observo. Penso. Faço contas. Tomo coragem. Desisto. Submeto-me.

Submeter-se dói. É entrega.

Amar é novela. Amar é ilusão. Amar é bons textos, textos ruins. Amar é cenário. Você, silêncio. Você, ilusão.

Sento-me ao seu lado. Ainda o constrangimento. Meu e seu. Nosso. Par perfeito.

Olhares. Brilho. Texto. Imagens. Cores. Olfato. Você.

Aliás, você estaria pensando em quê?
Provavelmente, eu pensando em você.

Dedos trêmulos. Aproximação. Olhares. Um beijo. Música. Créditos finais.

enviado por ombudsman às 11:38 | 4 comentários

Wednesday, 02.01.08

sentir


Fim de tarde de inverno. Hora em que se recolhe aos hábitos do abandono.

Silêncio.

Tragou mais um cigarro de fim de tarde. Sabia-se que não seria o único. Foi aos CD’s. Minuciosos. Todos guardados na estante já empoeirada pelo tempo. Não chovia há meses.

Música.

Era no silêncio que encontrava respostas. Perdia-se junto ao tempo.

Colhia flores murchas; plantadas sem a paixão daqueles que amam. Aguava o chão com lágrimas, embora não soubesse mais chorar.

Sentiu-se.

Desejou colher as frutas maduras do pé.

Tinha fome.

Desejava saciar-se.
Verdadeiramente saciar-se.

Criou histórias. Personagens tristes. Silenciosos...

Lágrimas de abandono.

Silêncio. Música. Mais um cigarro.

Folhear revistas. Tragar livros. Viver histórias.

Sete horas.
Levantou-se como se ajudado por alguém.
Era ele mesmo. Agora, um pouco mais envaidecido.

Olhar-se no espelho.
Observar-se.
Sentir-se.
Mais uma vez, sentir-se.


enviado por ombudsman às 11:21 | 2 comentários

Sunday, 30.12.07

tarde.



“Fim de tarde de inverno”. Anotou em um pedaço de papel qualquer algo que já havia escrito. Sabia-se que não era em vão. Só não tinha respostas.

Melancolia. Raiva. Desprezo. Desespero. Todos os sentimentos tragados em mais um cigarro de fim de tarde. Não gostaria de ser repetitivo, mas às vezes, ser clichê tornava-se quase que obrigação.

Perdia-se no olhar. Conseguia ouvir vozes, mergulhado no mais absoluto silêncio. Escuro.

Escrevia dezenas de palavras avulsas, sem sentido. Tornava-se único. Sentia-se só.


enviado por ombudsman às 13:31 | comente

Saturday, 29.12.07

dúvida


Para se viver é necessário estar sob a sombra da dúvida.
Viver é risco constante.
Morre-se no instante da certeza.
Cria-se, portanto, vive-se no momento da dúvida.

enviado por ombudsman às 14:35 | 1 comentário

Friday, 28.12.07

2oo7.


dividiram o mesmo copo.

embriagaram-se em dois goles. dois goles largos, silênciosos...

e o sol lá, se pondo.

fim do dia.

enviado por ombudsman às 16:15 | 1 comentário

Wednesday, 26.12.07

retorno.


tomando goles de um copo estranho e voltando ao nobre espaço.

afinal, escrever é libertar-se.

enviado por ombudsman às 03:20 | 2 comentários

Sunday, 09.09.07

o dia em que fui e voltei...



estive lá,
entrei
e voltei.

confesso: um pouco decepcionado!

enviado por ombudsman às 11:46 | 1 comentário

Wednesday, 05.09.07

sobre todas as coisas...

realidade

O telefone aguarda ansioso um sinal qualquer seu.
Enquanto, faço fita. Rôo unhas.

Sente-se. Sinta-se à vontade.
Sei que há constrangimentos. Não éramos assim antes. É fato.

Pare, não negue! Começa parecer ridículo...
Você querer fugir do que sabe muito bem que realmente deseja.

Ou apenas, sonha.

E caso sonhe, permita-me brincar um pouquinho neles.
Quero viver realidade.


pejorativo

Começo a ficar cansado, sabia?
Devo estar envelhecendo com as horas em que permaneço sozinho na companhia de espelhos. Vivendo asilo.
Quero visitas constantes. Sobriedade no seu mundinho.
Pejorativo é estar longe de você.


dados

Jogaram-se os dados.
Meia dúzia de otimismo.
Cinco sentidos aflorados.
Paixão.
Quatro mãos. Pares. Par.
Três passos.
Dois corações.
Um só sentimento.
Jogaram-se os dados.


silêncio

Serviu-se de duas doses de otimismo.
Falaram dos sentimentos que de certa forma sufocavam os dois.
Embriagaram-se de medo.
E não conseguiam viver.
Permaneceram olhando um para o outro, como espectadores.


***

Sente-se.
Sirva-se.
Divirta-se.


enviado por ombudsman às 10:13 | 1 comentário

Monday, 20.08.07

...

ser

Sentou-se.
Sentiu-se.
No som, Bethânia.

Cigarros.

Um mês. Muita coisa se perdeu.
Ganhou-se mais.
Só não sabia era o quê.

Tinha as mãos frias.
As mesmas mãos que o impediam de forma truculenta o fato de ser.

Queria era ser.
E sabia: não era pedir demais.

Ser de sonhar!


sozinho

- Sente-se!
- Não, obrigado.
- Imagine... Sente-se!
- Não!
...
- Eu prefiro ficar em pé.

A recusa foi retribuída com um sorriso amarelo. Fecharam-se as portas abertas. E ficou lá, sozinho.


passado

Gosta de observar relógios.
São máquinas do tempo.
Seus pés que não passam de uma caravana do passado.


mundo

Fez uma lista com desejos:

- O Mundo!

Só não sabia era caminhar.



enviado por ombudsman às 17:51 | comente

Thursday, 12.07.07

sabor





Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria


Todo amor que houver nesta vida, Cazuza/Frejat

enviado por ombudsman às 12:34 | 1 comentário

Friday, 06.07.07

ser



Deu de nascimento foram quatro. Perdeu todos. Pegou outro. Este, tem perdido no contar do calendário. Por fim, pegou outro. Este, permanece em perfeito estado de ordem. Um soldadinho dos muito bem comportado.

Estudou para nada. O diploma envelhece tal qual seu cérebro mal formado. Resolveu de todo modo tirar outro enquadramento para as paredes futuras. Diploma em chatice. Só não poderia levar na traquinagem.

Débil. Absolutamente débil.

Enxergava o pior. Sempre a mão alheia era mais pecaminosa que os seus dedos todos. Dedos de julgamento. Suas mãos, com o passar dos ponteiros, tornava-se altar para os objetos sacros. Cada par, nascido do lixo.

Sabe como outro ninguém chatear. Sua força enfraquece quem por perto vive. E é na rotina que tudo se transforma em perfeição.

Perdeu-se junto aos quatro. Foram eles que levaram o pouco dela. São eles quem disputam o podium da vilania. Não se viu até agora um só mocinho.

E só de saber disto tudo, parte-se para o mesmo altar de onde os quatro observam tudo de espectadores deslumbrados com a força que cada um tem. Mesmo tendo sido as portas abertas por tão pouco tempo, sabem a disposição de cada objeto da sala.

São verdadeiros arquitetos. Médicos. Desocupados. Tormentos.

As cores não valem de nada. Os passos são cada dia mais tortos. Não há caminho de volta. Nem respostas. Apenas vive-se.

E é neste viver que vem cometendo o pecado de perder de forma silenciosa aquilo que deveria de algum modo ser seu. Seio materno distante.

Falta o sabor. Falta a delícia de ser exatamente o que se é. Ela mãe, ele filho.

Por fim, sugere-se um brinde à mediocridade.

Mas, para que antes o façam, é preciso que aprendam como conduzi-la ao caminho do inevitável. O fato de serem.

Só assim serão história boa para contar.

enviado por ombudsman às 20:59 | 2 comentários

sacro




meu grande amigo
desconfiado e estridente
eu sempre tive comigo
que eras na verdade
delicado e inocente

findaste o teu desenho
e a tua marca sobre a terra resplandece
resplandece nítida e real
entre livros e os tambores do vigário geral
e o brilho não é pequeno

eu sigo aqui e sempre em frente
deixando minha errática marca de serpente
sem asas e sem veneno
sem plumas e sem raiva
suficiente


Waly Salomão, Caetano Veloso

enviado por ombudsman às 09:39 | comente

Tuesday, 03.07.07

...


Pode sentir o cheiro da brisa do mar bem próximo. Era fim de tarde de inverno. Pensou andar, pés descalços na areia, catar meia dúzia de conchas. Sentir-se. Recordou de sua última caminhada beira-mar. Chovia.

Lembrou-se de todas às vezes que de uma maneira ou de outra sentiu-se sozinho. Recordou o silêncio perspicaz de sua infância. Berço.

Sentaram frente um ao outro. A mesa, arrumada como um ritual místico e religioso. Copos, pratos, talheres em perfeita sintonia. Mas era o guardanapo branco que tirava toda a atenção daquele momento que deveria ser só deles.

Pensou em tirar uma caneta sabe-se lá Deus de onde e fazer daquele pedaço de papel branco um quadro negro de desassossegos. Resolveu encará-lo, mesmo que em silêncio. Afinal, não saberia dizer o quanto o amava. Sentiu-se ridículo e impotente. Adentrou pela porta a vontade de ir embora. Não foi.

Foi um gesto simples, um abraço qualquer, um carinho tolo. Suficiente para fazê-lo recordar o quanto era bom ser amado. Sentiu-se pequeno, protegido. Da mesma forma, sabia que aquilo tudo não passará de uma agressão ao que de fato supunha acreditar. Era um homem sem rumo.
enviado por ombudsman às 11:31 | comente

Monday, 02.07.07


"É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz um ninho no enrolar da fúria e voa firme e certa como bala
As suas asas empresta à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos, passa e vai em frente
Ela não busca a rocha, o cabo, o cais
Mas faz da insegurança a sua força e do risco de morrer, seu alimento
Por isso me parece imagem e justa
Para quem vive e canta num mau tempo"

enviado por ombudsman às 21:44 | comente

insensatez

Segunda-feira. Acordou dissimulado. De fato, achava graça em tudo. Conseguia enxergar cores inventadas. Anotou em papel miúdo, dobrado minuciosamente para que ninguém pudesse lê-lo, um pedido ao garçom: ‘duas doses de sensatez’. Tomou três. Era preciso mais para que se embriagasse.

Carregava a certeza que só a sensatez o derrubaria. Deveria era passar o dia todo em desespero. Jamais carregar um sorriso árduo no canto da boca na tentativa de demonstrar que os ponteiros funcionavam em perfeita ordem. Sabia mentir melhor que qualquer um.

Mentir para si mesmo era um vício desde criança.

Amanheceu mais frio, mais desorganizado. Desejou bom-dia, tratando tal qual cada um merecia. Companhia de todas as horas. Cumprimentou um à um. Sempre o sorriso no rosto. Medo.

Era invejoso, desestruturado e demasiadamente infantil. Sabia que seria mais fácil se todos em sua volta fossem bonecos da sua infância. Só assim poderia escrever finais felizes. E saberia amar cada um de maneira muito especial. Sem nunca ser frio, sem nunca desorganizá-los.

Entendeu que era preciso calma. Descobriu que o tempo aliado as descobertas tratariam de colocar tudo em seu devido lugar. Só era preciso colocar a casa em ordem. Sabia que não seria fácil.

Enxergava a casa velha. Sentia frio mesmo não estando com febre. Tinha fome em comer tudo o que via pela frente. Tijolos. Deveria parar de embarcar para lugares quase desconhecidos. As estações, sempre abandonadas, causavam um certo grau de desespero. E quando encontrava-se ali, sozinho, podia ouvir seu corpo crescendo. Pés maiores, pernas alongadas, mãos fomentadas. As idéias eram mais claras na estação.

Era preciso enterrar seus mortos e voltar. À pé. Sempre, embriagado em sensatez.
enviado por ombudsman às 12:43 | comente